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sexta-feira, julho 21, 2017

Toradora e o Estranho caso do Anime que Parei de Ver Antes do Fim



Gênero: Shoujo, Slife of Life, Comédia, Romance, Seinen, Shounen, Vida Escolar

 Toradora foi, primeiramente, uma light novel escrita por Yuyuko Takemiya, posteriormente se tornou um mangá e depois um anime. O jovem Takasu Ryuuji, estudante do segundo ano do ensino médio, possui um aspecto de "delinquente" assim como seu falecido pai, por isso é temido pela maioria das pessoas com quem convive e que não o conhecem à fundo. Contudo, por de trás da face ameaçadora, Ryuuji é na verdade um garoto gentil, estudioso e maníaco por limpeza, que exerce as funções domésticas com maestria.

A história dá início com o novo ano do colégio, onde um desanimado Ryuuji precisa, mais uma vez, quebrar o estigma de "cara do mau", mesmo que já tenha um amigo de longa data, o popular e excêntrico Yusako Kitamara. A paixonite secreta pela entusiasmada e pitoresca Kushieda Mironi, também não lhe parece ser lá muito esperançosa. Sua vida muda quando ele esbarra na colega de turma, Taiga Aisaka, conhecida por todos como "tigresa portátil" por conta de tamanho miúdo e ferocidade.

Alguns eventos depois, Taiga coloca na bolsa de Ryuuji, por engano, uma declaração de amor para Kitamura. Ao descobrir o erro, invade a casa de Ryuuji para pegar a carta de volta, e após um conflito com o rapaz, ele promete não revelar a ninguém seu segredo. O problema é que ele acaba deixando escapar seu amor platônico em relação a Minori, que, ironicamente, é a melhor (e talvez única) amiga de Taiga..




Daí então os dois desenvolvem uma forte amizade e cumplicidade: Ryuuji resolve ajudar Taiga a conquistar Kitamura (e ela subentende que ele fará tudo para ela, como um cão), eles passam a jantar juntos todos os dias, já que Taiga vive só em um apartamento ao lado da casa de Ryuuji, Ryuuji se torna protetor de Taiga, limpando sua casa, cozinhando para ela e zelando por ela (que é praticamente ignorada pelos pais).

É aquela típica história de comédia, romance, vida escolar, slice of life, uns dramas aqui e acolá, acompanhando a vida das personagens, conflitos, amizades... e você já sabe e deve esperar que uma hora Taiga e Ryuuji ficarão juntos. Se você curte esse estilo de história, a chance de gostar é grande e eu recomendo sim, mesmo que abaixo eu vá apresentar uma crítica negativa por motivos bem pessoais.


Vamos para a crítica com SPOILERS!


Vou falar uma coisa: não me recordo de um anime curto (desses sem fillers e enrolação) que eu tenha começado a assistir, me cativado de alguma maneira, chegado perto do fim e simplesmente tenha parado de ver, insatisfeita e agoniada com os rumos da história (Ookami Shoujo To Kuro Ouji abandonei muito antes). Pois é... foi o que ocorreu com o famigerado e amado "Toradora". Senti muito carinho e raiva do anime, e não poderia passar sem resenhá-lo. Ele é muito recomendado em blogs sobre mangás shoujos, mas segundo minha pesquisa seu público-alvo era shounen (ou seinen).


Tsundere nível Master


Problema Central para Mim: Relação com Agressão e Desigualdade

Dinâmicas de dupla/casal onde um exerce poder sobre o outro e/ou o humilha, domina, são uma constante nos mangás, animes, na literatura ocidental, no cinema americano. Sei que é um recurso cômico, porém, pessoalmente, quando se usa de maneira exagerada, me incomoda profundamente. Aconteceu em Ookami Soujo To Kuro Ouji, onde o mocinho sádico humilhava e explorava a mocinha boba e apaixonada. Tem em outro grau em "Zero Tsukaima", em "Itazura na Kiss"... não importa se a submissão vem de um rapaz ou de uma moça. Não me interessa se a violência e a grosseria, o sadismo, vem de um tsundere homem ou de uma mulher. Esse tesão por ver uma pessoa batendo, ofendendo e/ou esculachando a outra que faz tudo por ela ou a trata com gentileza, ( com a desculpa de que a personagem é legal, mas possui problemas internos) não me cativa. Eu fico é muito chateada.

Então, dizendo isso, vamos falar da parte boa..


Ryuuji: Cara de delinquinte, coração de anjo


Em Toradora, eu até me diverti e vi um bocado de episódios. Os personagens, mesmo os secundários, são interessantes e nos conquistam. Ryuuji Takasu, o protagonista, não é o cara bonito típico de anime (até por não ser shoujo com aqueles meninos idealizados), mas sua personalidade é crível. Ele é organizado, atencioso, maníaco por limpeza e muito bom nos afazeres domésticos, sem ser aquele cara perfeito que em tudo, ou excessivamente bobo. Confesso que ele me agradou bastante e me manteve no anime.

Minori, Taiga e Ami: Meninas de Toradora


Ami também se mostrou interessante, esperta. Uma personagem bacana que fazia a trama girar. E Kitamura fugia do clichê do galã do colégio, e seu comportamento louco era divertido de acompanha.

Minori, a paixão de Ryuuiji, no início, eu resisti um pouco para gostar. Achei que ela seria o típico objeto de desejo do protagonista, aquela menina perfeitinha que todos amam, porém me enganei. A garota é completamente pirada, e confesso que seu jeito meio estranho - não tão apreciado assim pelos outros no colégio, mas sem exagero à ponto dela ser excluída - começou a me aproximar da menina, embora, às vezes fosse meio irritante. Sua devoção e amizade por Taiga, por vezes escondendo seus sentimentos e problemas pessoais, também me fizeram começar a torcer por ela, querer saber mais a seu respeito, suas aflições, o entusiasmo exagerado para esconder uma melancolia, o motivo de trabalhar tanto, ainda mais ao notar seu amor por Ryuuji.

Quanto à Taiga..




Taiga, Taiga, Taiga: eu sempre ouvi maravilhas sobre a personagem, que é uma das mais amadas do mundo dos mangás e animes, e eu jurava que seria fã da menina, entretanto, não foi o que ocorreu. Achei a garota chata ao cubo! Mimada, mal criada, violenta em excesso. Tinha seus problemas? Tinha, mas acho um saco isso ser justificativa para tratar daquela maneira pessoas boas como Takasu, de forma extremamente rude e agressiva. Isso porque eu gosto de muitas personagens tsunderes, mas até certo ponto... a menina batia do garoto do nada. Ela só começa a exibir um comportamento mais normal (mantendo a força, sem ser apelativamente violenta) na metade para o fim do anime, e eu até perseverei, querendo gostar da personagem, querendo torcer para ela ficar com Ryuuji, mas não deu..

Eu torcia logo pra vê-los demonstrando aquela atração apesar da amizade (como ocorre em "Lovely Complex" muito antes deles se perceberem apaixonados), porém pouco aconteceu. Ryuuji mais tratava Taiga como filha (salvo a cena da piscina, onde ele colocou seio falso nela) e eu me acostumei com os dois dessa forma. Mais para o fim do anime, Taiga se percebe afim de Ryuuji, e toda aquela amizade cheia de cumplicidade, começou a exalar tensão sexual. Nesse desfecho previsível e desinteressante, me peguei torcendo contra o casal principal,queria que um cara legal como Ryuuji fosse bem tratado (assim como torci bem contra Irie ficar com Kotoko em "Itazura na Kiss", que nem entendo como consegui assistir inteiro). A cena do Natal foi o ápice: não senti felicidade em ver uma personagem secundária gente boa abdicando de quem ama pela amiga, que parecia ser a única com problemas importantes.

Enfim, essa é minha humilde opinião, minha impressão. Sei que é um anime amado e idolatrado por muitos, mas possivelmente a dinâmica não me pegou e o negócio desandou. Não sei se tem outra pessoa que compactua com isso (pelo visto quase ninguém, e eu entendo, claro). Mesmo assim, eu recomendo "Toradora" sei que pode agradar a muitos! Sei que tem muitas pessoas que assistiram e se apaixonaram, até porque reconheço momentos muito bonitos, até mesmo de Taiga com Ryuuji. Personagens legais, história fofa, design bonito, trilha no ponto... espero que os fãs me perdoem.


Apesar de tudo, ficam uma graça juntos




quarta-feira, julho 19, 2017

Bokura ga Ita: Sentimentos que Transcendem Idade



Gênero: Vida Escolar, Shoujo, Josei, Slice of Life, Drama.


Sinopse: Takahashi Nanami acaba de começar o secundário. Em sua classe, há um menino muito popular, que dizem ter conquistado 2/3 das meninas da escola, Motoharu Yano. Depois de um tempo, Yano e Takahashi começam a namorar, mas muito problemas começam a surgir entre eles. Yano possui um passado muito obscuro. Será que Nanami será capaz de compreende-lô?

Fonte: Wikipedia

Análise e Opinião Sem Spoilers:


No início do ano, quando eu pesquisava animes com temática mais romântica e relacional, Bokura Ga Ita sempre apareceu como uma das sugestões certeiras. A premissa do garoto desejado e popular namorando a garota mediana e enfrentando problemas, contudo, não me chamou atenção à primeira visto. Perco o número da quantidade de sinopses em que o enredo se delineia com este clichê contemporâneo juvenil da garota estranha ou razoável em uma paixão turbulenta com um garoto bacana demais para ela.

Em algumas histórias este artifício me incomoda: em Kimi ni Todoke, a protagonista Sawako é tão adorável em sua personalidade pura por trás da face amedrontadora, o restante das personagens tão carismáticos, que o mocinho apaixonado, Kazehaya, ser o “gostosão da parada” não é tão chato (embora eu ainda acredite que ele poderia ser um pouco menos “número 01” e ainda assim seria legal). 

Em Kaichou Wa Maid-Sama, em contrapartida, a perfeição exacerbada de Usui por vezes chega a cansar. Bom nos esportes, reconhecidamente bonito, gênio nos estudos, rico. Algo que Kareshii Kanojo no Jiyou (Karekano) apresenta também, no entanto subverte ao mostrar a outra face das personagens. Em "Sukitte Ii na Yo",a problemática de se namorar um cara lindo e amigo de todos é um dos focos da trama, e algumas vezes faz um trajeto intrigante em meio ao clichê. Os exemplos são infindáveis, alguns funcionam melhor, outros nem tanto.



Voltemos a Bokura Ga Ita: Nanami tem 15 anos é uma garota comum e doce, aquele arquétipo da protagonista romântica e alegre dos shoujos. Ela está iniciando o Ensino Médio e após ouvir rumores sobre seu popular colega de turma, Motoharu Yano, ter conquistado boa parte das meninas, começa a prestar mais atenção nele. Ela acaba conhecendo e convivendo com o garoto, e após algumas desventuras  e desentendimentos, os dois se tornam amigos, desenvolvem uma atração, e sem muito rodeio e picuinhas, passam a namorar. Em meio a isso, é revelado que ele namorou no ano anterior com uma garota muito bonita que faleceu, e as circunstâncias de sua morte deixaram Yano confuso e com dificuldade em confiar em alguém. A irmã da garota, aliás, é colega de classe de Nanami e aparenta ter uma ligação complicada com o menino. As coisas complicam ainda mais quando o melhor amigo de Yano, Masafumi Takeuchi, também demonstra amar Nanami.

Nana-san, a ex namorada falecida

Yuri Yamamoto, irmã de Nana-san

O anime, então, vai mostrando o aprofundamento da relação de Nanami e Yano: o primeiro encontro, a sensação de se estar apaixonado, ciúmes, sexo – sim, não se deixe levar pelo traço fofo, aqui temos uma ótica muito mais verossímil onde os personagens pensam, falam e fazem sexo naturalmente, sem exagero ou apelação - , e demais peculiaridades comuns de uma paixão adolescente. Nanami, no início, até se sente insegura por Yano ser muito popular, mas, ainda bem, depois de um tempo isso se torna algo superfluo: Nanami amadurece e se torna mais segura e popular, e a relação deles não se constitui numa desigualdade que a faça se humilhar por ele ou se torne o foco da história (como Kotoko todo o tempo tentando chegar à altura de Irie em “Itazura na Kiss”, Erika se humilhando e se esforçando para amolecer o coração de Kyouya em “Ookami Shoujo to Kuro Oji” ou a dependência da solitária Mei pelo popular Yamato em “Sukitte ii Na Yo”).





Quanto a Yano, é um mocinho muito odiável e amável: realmente é bem babaca no início: é o típico popular do colégio – a arrogância adolescente se mostra muito realista neste ponto - , e algumas de suas atitudes são muito detestáveis, dessas que te darão nos nervos, no entanto, é notório o quanto ele luta para ficar com Nanami, o quanto ele se esforça para agradá-la e o quanto corre atrás dela. Eu, que sou bem resistente a personagens masculinos de josei e shoujo, desenvolvi simpatia pelo personagem, compreendendo-o melhor e sentindo pena dele depois dos bolas-fora dados (claro que uma parte de mim ainda torceu um bocadinho para a protagonista ser “roubada” pelo amigo de Yano e seu rival no amor… mas foi coisa pouca). 




Aliás, o mais legal que encontrei no anime foi a identificação: como senti empatia com Nanami, uma personagem tão diferente de mim em personalidade, mas tão próxima em algumas atitudes da adolescência: ela se empolga bastante no início e se esforça para ser amorosa e compreensiva, mas o passado turbulento, as dúvidas, a desconfiança, a falta de imaturidade de ambos, começou a pesar, e nem sempre ela aguentou o tranco. Heroínas de fibra que sempre suportam tudo… por mais forte que Nanami seja, ela é humana e pouco sabe emocionalmente, muitas vezes agindo com ciúmes, possessão, egoísmo. É irritante? É, mas verossímil! Quem não foi assim no primeiro amor? Começou com a pureza da inexperiência e uma hora sentiu vontade de jogar tudo para o alto e desistir pós descobrir o quão difícil pode ser?




Outro ponto positivo: trilha sonora. Tem um ending diferente todo episódio e as músicas embalam todas as cenas. Algumas melhores que outros, mas ao fim, fica tudo na sua cabeça, juntamente às cenas.






CONCLUSÃO

Se você curte romance escolar, slife of life, jogue-se sem medo. Se quer uma coisa bem leve e cômica, não é tanto a proposta de Bokura ga Ita. Uma relação mais adulta, menos “bobinha”, personagens não tão cativantes e carismáticos, mas com quem nos identificamos com seus defeitos. Miscelânia se sentimentos e dramas. Recomendo! 


quarta-feira, abril 05, 2017

Identificação não precisa ser chato

Lovely Complex


Gênero: Vida Cotidiana, Slife of Life, Shoujo, Comédia, Vida Escolar, Romance.

O anime Lovely Complex, que foi o que eu assisti, é uma adaptação do mangá shoujo de mesmo nome, criado por Aya Nakahara e lançado em 2001. O anime saiu em 2007. Já rolou Dorama, CD drama e constantemente se encontra na lista de mangás favoritos mundo à fora. É comédia romântica, muito humor, um certo romance e  pequenos dramas (nada pesado).

A história é aparentemente simples e sem grandes atrativos, talvez por isso eu tenha demorado quase dez anos para assistir tudo. Em um colégio de Ensino Médio estuda Koizumi Risa, uma garota que mede 1.70 e chama atenção por ser mais alta que todas as meninas e muitos dos meninos, e Atsushi Otani, que é um pouco mais baixo que o comum dos meninos, com seus 1.56. Por conta dos reforços escolares e eles passam a conviver diariamente, e de início brigam bastante pela personalidade enérgica e explosiva de ambos, em contraste com a altura, que faz com que chamem atenção de todos, sendo apelidados de All Hanshin Kyojin (dupla de comediantes japoneses com grande diferença de altura).

Quando eles resolvem se ajudar na conquista de seus pretendentes amorosos (Otani é afim da pequena e delicada amiga de Risa, e Risa quer se aproximar do alto, belo e quieto recém-amigo de Otani) os dois vão desenvolvendo uma amizade muito forte, repleta de cumplicidade, humor e conflitos. Existem outros personagens como as amigas de Risa, o amigo de Otani, o professor, familiares e rivais.


Risa e Otani: alturas diferentes, personalidades parecidas


Um dos pontos fortes de muitas obras nipônicas é o desenvolvimento de personagens com os quais nos identificamos. Seja aquele inserido num contexto de slice of life, em que nada fora do comum acontece, ou que ganha super poderes, ou mesmo quando a personagem nasceu com algo de sobrenatural, não importa a premissa: criar empatia é um ponto crucial para que possamos nos interessar pela história e torcer pelo personagem. Pelo menos, torna tudo mais gostoso.

O problema é quando se encontra personagens que fazem sucesso e se utilizam daquele arquétipo incessantemente. A menina explosiva, a tímida, o rapaz sedutor, o valentão, o inexpressivo, o frio... todos tem até mesmo nomenclaturas (tsundere, kundere, moe, entre outros, na web tem muito material explicando). A fórmula é tantas vezes repetida que se torna chato... eis que Lovely Complex, ou apenas "Lovecom" tem seus muito méritos, sempre rodeado por muito, muito humor! 


Risa & Otani: afinidades



Mangá de Lovely Complex

A primeira parte do anime mostra o desenrolar da relação de Risa e Otani. Eles são muito parecidos: tem problemas com sua altura, são obcecados pelo cantor Umibozu, não são muito interessados pela escola ou estudos, são bastante divertidos, infantis e com personalidade expressiva e espontânea. No começo, são vistos como os comediantes, mas a medida em que vão partilhando dos problemas, fica perceptível que dali pode nascer um romance. Embora se tratem como "dois caras", entre xingamentos, socos, pontapés e brincadeiras mais malucas, Otani tenta aumentar a auto-estima da amiga, mostrando-se muito preocupado e gentil com ela.

Os personagens conhecem Umibozu

OBS: ÁREA COM SPOILERS, PULAR ESSES DOIS PARÁGRAFOS SE NÃO QUER SABER REVELAÇÕES DO ENREDO.



Risa é a primeira a ver em Otani um par romântico. Após lutar bastante contra o sentimento - afinal, ela é "girafa" perto dele - ela admite a si mesma que o ama. Muito disso é despertado pela personagem Seiko Hotobuki, um garoto que se vê como "menina" (e que também nutre sentimentos por Otani) e que lhe convence que o empecilho da altura é muito pequeno. O anime, então, é levado a tentativa de Risa mostrar a Otani que eles são mais do que amigos. Como um personagem lerdo (recurso usado para atrasar a aproximação romântica, mas que por vezes chega a irritar), Otani demora muito para se convencer de que gosta de Risa como namorada.

Talvez aí venha o ponto que mais me desagrada: Risa se esforça muito mais para conquistar Otani do que vice-e-versa. Embora eles tenham uma relação de amizade forte, ele só vence a barreira de vê-la como amiga-dupla cômica ao sentir ciúmes por Maity-sensei, e posteriormente só se entrega à relação amorosa por causa dos ciúmes provocados por Kohori. Até que é um ponto forte do anime não explorar em demasia o ciúme masculino, possessivo, algo comum em shoujos e em obras voltadas ao público feminino, que romantizam a possessão vinda de um cara "maravilhoso". O ciúme de Otani não é algo perturbador, nem ele é taxado como "príncipe encantado", contudo senti falta dele sofrer um pouco mais, demonstrar um pouco mais todo o afeto que Risa persistiu em direcionar a ele.


Atsushi Otani em momento romântico


Risa Koizumi, mocinha cheia de personalidade

Mas bem, vamos falar de coisa boa: o grande trunfo do anime, para mim, são esses dois personagens. Risa e Otani como dupla ou casal, tem muita química! Eles são escrachados (assim como o humor da história), mas nada que os torne menos humanos. Risa por si, é uma ótima protagonista:  naturalmente engraçada, expansiva, meio moleca e bruta, joga vídeo games, mas é bem romântica e louca por coisas femininas, sem muitas regras ou cartilha. Já Otani é pequeno e aparentemente frágil/delicado, mas na verdade é bem esquentado e determinado, tanto que é um ótimo jogador de basquete. Você acredita na amizade deles e neles como par romântica (algo que "Toradora" não fez comigo, pelo menos na parte romântica)...  é muito verossímil essa relação, nada forçada… aquela afinidade que se tem com poucos. E o humor é realmente um ponto a favor… Otani balanceia bem a personalidade louca de Risa, com sua dose de agitação, quase como o “escada” de humor da dupla. 

Lovely Complex: humor e estranhezas usuais

O outro trunfo vem a partir do conflito das personagens: eles tem seu complexo de altura, e exibem uma personalidade que não se espera. Risa, por ter uma altura superior a das meninas, deveria se portar como uma dama para tentar conquistar um cara, mas ela não o faz. Já Otani se nega a ser frágil ou a ser aquilo o que os outros esperam.


Momento romântico 


CONCLUSÃO: 

Acho que é uma história divertida de se assistir, por vezes meio arrastada, mas com personagens carismáticos, músicas que compõem bem a cena, e um bom desfecho. É uma aula de como desenvolver personagens reais, com os quais podemos ter empatia, sem resultar em algo chato ou monótono, e que dá para conciliar bem com a comédia. Ah, e que podemos torcer por um casal m shoujo onde o cara não é "perfeito", e numa relação advinda da amizade sem parecer forçada. Certamente vai ficar muito bem guardado nas minhas lembranças...


Lovely Complex: personagens amigos reunidos


Postado por Bruh