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quinta-feira, março 30, 2017

Um ponto de vista feminino


Desde criança meus olhos brilhavam um pouco mais para os desenhos japoneses do que para os outros tipos de desenhos. Cresci assistindo muitos deles, e na puberdade, comecei a entender o que era anime (desenho japonês), mangá (quadrinho japonês), o direcionamento de público, e etc. De início via os de briga, que eram os mais comuns na TV brasileira, e apesar de serem protagonizados por homens, tinham histórias mais emocionantes do que os outros desenhos. Vez ou outra uma personagem feminina dava às caras como guerreira (10 x 0 para Disney e suas princesas), isso quando não era “Sailor Moon”, Sakura Card Captor ou algo assim… animes cheios de representações femininas. Eu me senti contemplada!


Sailor Moon e as Sailors: Um marco no protagonismo feminino

Certamente na adolescência foi a época na qual mais consumi animes. De luta, de magia, para meninas, para crianças, mais adultos, com mechas, suspense… ufa. No entanto, os afazeres da vida, a pouca facilidade em baixar e armazenar no computador, distanciaram-me um pouco desse universo. Anos depois, tornou-se muito fácil entrar em contato com as produções recentes ou mesmo aquelas clássicas, e as toneladas de remakes e continuações dos animes célebres me fizeram voltar com força total a assistir animes! Só que meu olhar mudou bastante...

É impossível dissociar minha visão de mundo e questionamentos ao me deparar com os enredos das histórias que assisto. Revisitar alguns animes é uma experiência louca, cheia de nostalgia, por vezes desapontamento ou até alívio. Eu tento sempre entender que o Japão é um país culturalmente diferente, que por vezes a história é mais antiga e ainda está imbuído de convenções tradicionais.. Entretanto, felizmente, existem exemplos bons em meio aos ruins e daí posso tecer uma crítica comparativa.

Samurai X ou Rurouni Kenshin: boas representações femininas, mas sempre em segundo plano

Que as produções voltadas para os garotos era machista, isso eu estava careca de saber. Com protagonismo masculino, mulheres objetificadas ou usadas como adorno, personagens femininas de relevância em pouca quantidade…. Mesmo em alguns dos animes que gosto, eu já notava isso (alguns isso é bem perceptível, outros nem tanto). Agora, algo que eu não tinha tanta ideia era no quão machista os mangás voltados ao público feminino eram! Para mim, shoujo era meio que certeza de ver representação feminina, tanto na autoria quanto nas personagens, a exemplo de Sailor Moon, com sua quantidade enorme de meninas de vários tipos, algumas que gostam de meninas, outras que se reconhecem como garoto, que querem um amor para a vida toda ou apenas trabalhar (ou os dois). 

Ao assistir novos animes adaptados de mangás shoujos (direcionados a meninas), ficou evidente o quão certos valores japoneses estão arraigados e perpetuados. Relacionamentos abusivos, romantização de agressão, pouco enfoque em como a violência é nociva, superestimação do relacionamento romântico, adequação à padrões tanto de beleza quanto comportamentais para se alcançar a felicidade… tudo isso é muito presente em shoujos – não vamos ignorar que em “Crepúsculos”, novelas brasileiras e outros enredos ocidentais isso também existe - , colocado com naturalidade e como mote do enredo.


Irie e Kotoko: desprezo, desprezo e migalhas de amor


Não sou, porém, aquela pessoa que deixa de assistir alguma produção com história interessante por conta desse tipo de problema. Prefiro continuar a assistir, com meu senso crítico. Tento descobrir o que posso tirar proveito dali. Uma das minhas reflexões está em torno do "macho alfa", o galã perfeito, o cara maravilhoso, poderoso, popular, lindo, inteligente, com uma sedução ligeiramente possessiva e violenta (Itazura na Kiss, Cinquenta Tons de Cinza, entre outros). Esse tipo é muito comum nos mocinhos de shoujo. É naturalizada essa superioridade do galã em relação a mocinha comum, sujeita a humilhações e dependência emocional resolvidas com beijos ou "eu te amo".  Um péssimo exemplo para uma menina que ainda está aprendendo a se aceitar.

Kenshin Humira ensina a ser um bom marido, sem ser perfeito

O irônico é que em alguns shounen lembro de personagens que seriam muito melhores maridos do que os de shoujo. A exemplo de Kenshin Himura de Rurouni Kenshin. Ele foi assassino à mando do governo, lutava por uma causa, mas sabia que aquilo era errado. Arrependeu-se, tornou-se uma pessoa pacata, madura, cozinha, lava, faz todos os afazeres domésticos, respeita o espaço da Kaoru, não é um cara que se usa do seu poder ou acredita que sua amada é sua posse. Não é perfeito, possui vários defeitos, porém mesmo no alto de suas habilidades extraordinárias, é mais realista que Usui de Kaichou Wa Maid-Sama.

Até mesmo o Inuyasha: imaturo, egoísta, amargo por conta de sua condição de meio-demônio (renegado por demônios e humanos), vivendo em uma Era antiga, com sua dose de machismo, e no eterno dilema romântico, por mais ciúmes que sentisse, por mais dúvidas que tivesse, esperava ver Kagome feliz, mesmo que não fosse perto dele e nunca forçou uma situação com a garota. Kagome é ciente dos defeitos de Inuyasha e os enfrenta de igual para igual. Ela não idealiza o ciúme ou os sentimentos confusos de Inuyasha, mas reconhece que ele a ama, a respeita, e preza por ela e por seus amigos. 

a imaturidade de Inuyasha 

Já nos shoujos são situações forçadas onde o garoto (na maioria das vezes popular) parece fazer um favor ao se relacionar com a garota (muitas vezes alguém comum ou até impopular), de maneira que “beijos roubados”, humilhações e abusos se tornam recurso para desenvolver e apimentar o romantismo. Itazura na Kiss é o exemplo mais recente em que vi algo assim, e é agoniante de tantos exemplos. Ao Haru Ride também tem algumas cenas que me deixaram de cabelo em pé, como quando mocinho questiona o motivo da mocinha se deixar estar à sós com ele – um homem – , pois isso pode culminar em algo ruim para ela (ser molestada, abusada). Não posso nem falar da experiência horrível de espiar "Diabolik Lovers" Quase traumatizante..

Enfim, aguardem nas minhas resenhas também abordar esse viés, sem deixar de apontar a parte positiva, claro! Sou mulher e quando criança, adolescente, queria muito ter visto mais personagens que me contemplassem e relacionamentos menos idealizados. Alguns animes advindos de mangás shoujos como “Lovely Complex”, “Peach Girl” e “Kimi ni Todoke”, são positivos nesse sentido e isso merece ser destacado! E óbvio, também falarei do tema quando se tratar de shounen, seinen, jounen, entre outros...

Obs: Se você é homem ou mulher, feminista ou não, vem trocar umas ideias aqui. Com respeito, todo mundo é bem vindo!



Postado por Bruh

sexta-feira, junho 24, 2011

Dragon Ball




Após meses sem dar as caras no blog foi sem querer querendo retornei trazendo um anime/mangá de peso para falar sobre: O famoso e queridíssimo “Dragon Ball” do mestre Akira Toriyama!

Assim como 9324765659294757 de pessoas, eu assisti avidamente aos episódios no SBT/Cartoon/Band/Globo/internet há alguns anos. Sinceramente, eu conheci o desenho chamado “Dragão Z”, no Cartoon Network das antrolas (não cruxifiquem o cartoon), que correspondia a Dragon Ball Z, e me interessei muito. Depois comecei a ligar o “Dragão Z” ao “Dragon Ball” que ainda passava no SBT (“eita, o Goku era criança!") e então virei uma fanática, procuradora de tudo relacionado ao mundo de DB na internet discada e lenta da virada do milênio...



Mas sim, para quê falar tanto do meu vício e não me ater ao anime em si? É para mostrar que assim como Dragon Ball mudou minha vida (aff, trash...) e me introduziu de uma vez por todas no mundo animesco (embora Samurai X, como eu disse posts atrás, tenha dado um empurrão),  ele também figurou e figura como anime mais rentável de todos! O tio Akira tá rico pra caramba, e continua faturando, além de ter alavacado o coração de muita gente.. A maioria meninos pré-adolescentes, mas algumas garotas, tipo eu,  a Cah, entre outras. Muita gente hoje em dia torce ao nariz, acha que é bobo, simplório, porém esquece que muitos de seus animes preferidos foram influenciados profundamente por Dragon Ball.



Obs: Os textos a seguir estão repletos de Spoilers:


Antes de Dragon Ball, Akira Toriyama já era um prestigiado mangaka por conta de Dr. Slump, um mangá de comédia – até então seu grande foco – protagonizado por uma simpática garotinha robô e seres estranhos moradores da Vila Pinguim (mais para frente Akira cria crossover entre Dragon Ball e Dr. Slump). Inspirado por lendas chinesas, Akira desenvolveu uma despretensiosa história que misturava fantasia, luta e comédia, e era protagonizada por um garotinho com cauda, que se transforma em um macaco gigante, e que estava atrás de esferas do dragão. Em 1986 lançou o mangá na Shounen Jump, e o sucesso estrondoso o fez, cada vez mais, ter de alongar o enredo. O resultado foi que o dito-cujo foi terminar lá para o começo dos anos 90, sem contar o prolongamento de Dragon Ball GT (encheção de lingüiça que não existe no mangá e desagradou muitos fãs) na televisão.

Dragon Ball

Então, a história... Goku é um garoto de doze anos, ingênuo e de coração puro, que tem um gosto enorme por lutas. Ele vivia pacatamente em uma casinha no interior, cuidando de uma esfera dourada, a única lembrança do seu falecido avô. Um dia, ele conhece Bulma, uma adolescente rica e inteligentíssima que procura reunir as sete esferas do dragão, e se unem em uma jornada, já que tem outra galera (os vilões da primeira saga), que roubam a esfera de Goku. No caminho eles passam por muitos perrengues e vão conhecendo um monte de personagens, alguns desses acabam ficando definitivamente na história, como o porco metaformo (e tarado) Oloong, o ladrão Yamcha (que é tímido com as mulheres), o gato Pual (também metamorfo), Mestre Kame (que viria a treinar Goku), entre outros. 

No início, Dragon Ball se centra muito na parte cômica, fantasiosa. Você vê animais vivendo como pessoas, dinossauros e outros bichos esquisitos nas florestas e matas, casas arredondadas, e todo um mundo fantástico e irreal criado por Akira, que só acentua sua parte cômica. No entanto, com o tempo, a história vai se focando no desenvolvimento de Goku como lutador, nos seus combatentes, rivais, treinos, e mestres. Os vilões e sagas mudam (tem a do Pilaf, Red Ribbon, Picollo I e II e etc) vão ficando mais sérias, e os Torneios de Artes Marciais viram a grande sacada onde as tramas se desenrolam. Ao final do mangá, Goku já tem 18 anos, consegue voar e usar sua energia para atingir seu combatente. Os guerreiros mantidos são Yamcha, Tenshin Han, Chaos e Kuririn, grande amigo de Goku. No fim dessa primeira parte de Dragon Ball, subentende-se que Goku irá se casar com Chichi, garota que ele conhece no início do mangá.



Pequeno Gohan
Falar detalhadamente de Dragon Ball é separar um bom tempo, porque são muitas histórias, sagas, enrolações, fatos marcantes... O anime, então, tem mais ainda, com muitos episódios fillers. O casamento de Goku define uma nova etapa: Cinco anos se passam e Goku tem um filho com Chichi chamado Gohan (nunca estranhem o fato das personagens passarem tempos sem se ver, mesmo tendo meios de transportes do caramba, e alguns ainda conseguindo voar...), e no dia em que o leva para a casa de Mestre Kame, para que Kuririn, Bulma e Yamcha o conheçam, um homem chamado Raditz aparece dos céus e diz que Goku na verdade veio de outro planeta, e que deve se juntar a ele. É uma virada: Os expectadores descobrem que Goku veio de um planeta chamado Vegeta, que foi destruído há muito tempo, e os sobreviventes são pouquíssimos. 



Sayajins e Piccolo

Goku ser um sayajin é um dos pontos mais importantes... Depois que essa palavra é dita, nunca mais é esquecida. Sayajin é a raça guerreira do Planeta Vegeta, que ganha seu trocado tomando planetas mundo a fora. Depois disso, a história ganha proporções universais, com lutas mais sangrentas, utilizações de energia, e poderes mais do que surreais. Vegeta, uma das personagens mais “pops” de todos os tempos (e um dos meus favoritos), aparece como um vilão sayajin cruel e impiedoso, mas gradualmente, bem gradualmente, torna-se anti-herói e “amigo” de Goku e Cia.

"É de mais de nove mil...!!!!"
Vegeta e o filho






As grandes sagas, para mim, concentram-se na primeira fase de Dragon Ball Z. A Saga dos Sayajins, em que Goku está morto (e só poderá ser ressuscitado em um ano), e Gohan, seu pequeno filho, é treinado por Piccolo, para a chegada de Vegeta e Nappa, que irão tomar a terra, é bem emocionante. A outra grande saga para mim é a do Freezer, em que se descobre que existe um ET muito mais poderoso que Vegeta chamado Freezer. A saga se passa no planeta de origem de Piccolo, que é Namekusei, onde existem as esferas do local. É a parte mais interessante da história, particularmente o anime teria fechado bem acabando com o Goku Super sayajin matando Freezer, ao rever a saga eu continuo ansiosa para ver o que acontece, ou seja, não é só nostalgia.

Depois, vem a Saga dos Andróides, ou Saga do Cell, em que os poderes já estavam apelativos e inimagináveis demais. Imaginava como um espirro de Goku e companhia não destruiria a terra... Depois ainda temos a Saga do Majin Boo, que para mim deveria não ter acontecido. É bacana ver o Gohan grande, as fusões, as palhaçadas de Mr. Satan com Majin Boo e cachorro, a Pan criancinha e blábláblá, mas até o mangá é extenso e meio cansativo. O fim, pelo menos, é bacana. Contudo... Não sei por que diabos criaram Dragon Ball GT. Foi uma produção muito sem graça, Pan e Trunks (protagonizando junto ao Goku) sem carisma, os poderes estrondosos dos três sendo afetados por Ets toscos, e personagens queridos como Gohan, Vegeta, Bulma e Goten (nem falo de Piccolo e Kuririn, que já tinham sido escanteados por não serem saiyajins), mal aparecem. Mais para o final tem um fechamento muito bonitinho, que junto a música de abertura, vale todo o anime.


História que muda de acordo com os gostos dos leitores, personagens carismáticos, sagas aparentemente bobas, superficiais, mas viciantes, intrigantes... Humor, personagens cativantes, desde Goku, Mr. Satan, a Vegeta... Lutas, poderes e golpes que fazem você querer saber o que vai acontecer ou tentar imitar em casa (eu tentei voar com a Videl!!). Dragon Ball, com suas falhas, seu comprimento enorme, é uma história adorável e inesquecível que foi reinante em sua época, e criou seu “modus” de fazer anime. Ainda hoje o anime é exibido e reexibido, tem um monte de filmes, live action (esse sem comentários) e etc, tudo alavancando mais grana. Dragon Ball Kai, que é o Z revisado, foi um dos maiores ibopes de animes, isso vinte anos depois de sua exibição original! Podem até não gostar de DB, do estilo, mas não tem como não reconhecer seu valor para as obras nipônicas. Para quem acredita que não tem momentos emocionantes, certamente não assistiu direito... Seja a relação entre Gohan e Piccolo, a morte de Kuririn, a primeira vez que Goku vê seu filho Goten... Akira conseguiu deixar uma marca muito particular. Eu serei eternamente fã de Dragon Ball!






Post por: Bruh :D